14 de julho de 2007

RIO SECO



Tantos anos se passaram desde a última vez que estive às margens do caudaloso rio. Parecia uma despedida. Momentos antes, uma solenidade toda especial encerrava uma longa caminhada de estudos e projetava cada jovem para as expectativas de um futuro feliz.
Nesta volta de recordações e saudade, pude me aventurar além da margem do rio, para me postar sobre uma pedra perdida no meio da cachoeira, outrora murmurante e ameaçadora. Fiquei a pensar, trazendo à memória momentos de muita alegria e felicidade. O rumorejar das águas, batendo forte nas pedras e rompendo os obstáculos à frente, não era o mesmo. A violência da correnteza se escondia no tempo. Vi fios de água, vagarosos e lamuriantes, procurando caminhos por entre as pedras, que se expunham como órgãos doentes da natureza.
Absorto e parecendo sonhar, me chamou a atenção uma voz macia e doce que me despertou para a realidade à minha volta. Estava sozinho naquele abandonado espaço vazio e onde meus olhos alcançassem nada me detinha, como na alegre paisagem que ficou, mas vislumbrava uma profunda e infinita tristeza.
Seria um fantasma a provocar um sentimento no fundo de minha alma?
Vi fios grossos escuros escorrendo pelos vãos das pedras, exalando odor insuportável. Observei as margens e o leito mutilados.
Custou-me a acreditar, mas esse não é rio do meu passado.

Um comentário:

Maria Emília M.Redi disse...

É triste mas é a pura verdade! Que saudade do rio da nossa infância!



Grande Abraço