8 de setembro de 2007

OS SANTOS REMÉDIOS


Sempre é bom ouvir comadres. Não apenas as que seguram os filhos em batizados, mas também aquelas que se fazem amigas em encontros casuais, provocados por viagens, passeios, ônibus ou parado em um canto qualquer, aguardando a chegada de um amigo. Ou, então, nessas barracas de artigos artesanais, bordados, rendados e outras utilidades muito apreciadas pelas donas de casa.
Nessas oportunidades, é só dispor de um tempo, que pode se alongar por horas, as conversas ganham uma extensão sem limites, porque se fala de tudo. Daí a pouco, até parece que os contatos sugerem uma amizade que vem de anos, ainda que isso não seja realidade. Se pessoas conhecidas que se reencontram então é um tal de matar saudade, rememorar fatos, procurar saber por onde anda uma amiga não vista há anos, se casou, se tem filhos, onde mora, dos tempos escolares, se fulana está viva ou não e assim por diante.
Duvido que isso não ocorra com todas as
pessoas.
Quando isso acontece, dificilmente deixa-se de contar um caso, um acontecimento, peraltices de filhos traquinas, uma doença, própria ou de alguém que se conhece. Parece que se encontram assuntos que dão pano para mangas e é um nunca mais acabar de receitas que se constituem em verdadeiros santos remédios.
Sabe-se que gente do interior se apóia em remédios caseiros, chás, emplastros, pomadas e outros preparados para resolver problemas de saúde. Não porque são apenas providências urgentes, como também pelo fato de que a procura de um médico nem sempre tem a rapidez necessária ou pode ficar para o dia seguinte. O que é preciso é resolver na hora uma dor lombar, de estômago, de cabeça, de barriga, contusão, um corte no dedo, um calo que atormenta, um olho de peixe ou outro incômodo qualquer. Para isso, a comadre está sempre ao lado, na vizinhança e o atendimento pode ser através de uma cerca, por cima do muro, em visita em casa. Quem morou em fazendas ou bairros rurais sabe muito bem como fazer isso. Claro que quando a coisa é séria dá-se um jeito para tudo, porque sempre se encontra um amigo por perto para resolver a situação.
Interessante que, nessas ocasiões, fica-se sabendo de tudo, descobrem-se os mais intrincados produtos para as soluções desejadas. Às vezes, plantas bem conhecidas, mas que não se sabia de seu uso para debelar doenças, são plantadas e oferecidas para que sejam cuidadas em casa e fiquem à disposição para qualquer emergência.
E quando a conversa parte para assuntos sentimentais? Um namoro mal compreendido, uma paixão frustrada ou uma traição inesperada? Não falta mesmo recomendação contra inveja, mau-olhado, olho gordo, ciúme ou outro motivo que esteja provocando aborrecimento à pessoa que espera um conselho. Nesse caso, valem muito "simpatias", feitas das mais variadas formas, para curas certas.
Claro que não vou adiantar aqui o nome de nenhuma planta que se transforma em remédio e que produz a cura de qualquer mal, porque essa não é a minha área. Eu gosto é de ouvir, registrar as conversas, os assuntos que dominam esses encontros amigos. Afinal de contas, o cronista vive disso e não pode perder oportunidades como essas, não é verdade? Então, ouço e escrevo. Isso não faz mal algum.






Um comentário:

Camilo I. Quartarollo disse...

Olá, estou lendo suas crônicas, aos poucos. Vi seu trabalho nos jornais e gostei muito e agora estou acessando o seu blog também. Se quiser, o meu também está a disposição, engatinhando, mas está mais ou menos bom. O seu estilo de escrever e captar as coisas me inspiram a escrever, um abraço.